Tratamento oral contra câncer de mama avançado é aprovado no Brasil
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou na segunda-feira (21) o registro do Etcamah, medicamento oral para adultos com um tipo específico de câncer de mama localmente avançado ou metastático. O princípio ativo, chamado camizestranto, é indicado quando surge uma mutação no gene ESR1 durante o tratamento hormonal. A mudança pode permitir a troca da terapia antes que exames apontem avanço da doença.
A indicação vale para tumores positivos para receptor de estrogênio e negativos para HER2. O paciente também precisa ter desenvolvido a mutação durante pelo menos seis meses de tratamento de primeira linha com terapia endócrina associada a um inibidor de CDK4/6. A autorização contempla casos sem sinais clínicos ou radiológicos de progressão do câncer.
O diferencial está no momento da mudança do tratamento. A mutação ESR1 pode ser identificada no sangue antes que o crescimento do tumor apareça em exames de imagem. O camizestranto bloqueia e promove a degradação dos receptores de estrogênio das células tumorais, o que reduz os estímulos usados pelo câncer para crescer.
O medicamento foi avaliado no estudo Serena-6, com pacientes que apresentaram a mutação durante o tratamento. Na análise que embasou a aprovação, a combinação com camizestranto reduziu em 56% o risco de progressão da doença ou morte em comparação com a continuidade da terapia anterior. O período mediano sem avanço do câncer passou de 9,2 para 16 meses.
Os Estados Unidos também autorizaram o medicamento em setembro. A FDA, agência reguladora norte-americana, concedeu aprovação acelerada ao Etcamah em combinação com medicamentos da classe dos inibidores de CDK4/6 para pacientes com o mesmo perfil de tumor e mutação.
No Brasil, o preço ainda deverá passar pela avaliação da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), responsável pela definição do teto de comercialização. A aprovação do registro não significa incorporação automática do tratamento ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Segundo dados citados pela Anvisa, o Brasil estimou 73.610 casos de câncer de mama por ano entre 2023 e 2025. A doença respondeu por 30,1% dos diagnósticos de câncer entre mulheres no período.

